Comprar menos, possuir melhor: a qualidade como forma de luxo

Há duas maneiras de encher uma vida de objetos. A primeira acumula: muito, depressa, barato, substituível. A segunda seleciona: pouco, devagar, bom, definitivo. A primeira produz armários cheios e memória vazia. A segunda é, provavelmente, a única definição de luxo que sobreviverá a esta década.

A aritmética de possuir melhor

Dez perfumes medíocres custam mais do que um extrait excecional, e nenhum dos dez se recorda. O objeto de qualidade tem outra aritmética: amortiza-se em anos, não em usos; ganha significado com o tempo em vez de o perder; e quando é além disso uma edição numerada, nem sequer compete com o que vier depois, porque nada do que vier depois será ele.

Escolher devagar

Possuir melhor começa antes de comprar: ler a ficha, entender a concentração, conhecer a história da peça e de quem a fez. O objeto bem escolhido não gera arrependimento mas narrativa: sabe-se porque está em casa e que lugar ocupa.

O perfume como caso extremo

Um perfume consome-se: cada aplicação aproxima o fim do frasco. Essa fragilidade torna-o o melhor exame desta filosofia. Merece um lugar na sua vida algo que se vai esgotar? Só se, ao esgotar-se, deixar algo: uma memória olfativa que nada mais pode reproduzir — especialmente se a própria criação já não existir. É a ideia sobre a qual está construído cada capítulo DULBE: quinhentas garrafas, uma história, um fim. Comprar menos. Possuir melhor. Recordar sempre.

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